Na sexta-feira, 13 de outubro, não se procuraram mitos na Serra de Sintra, mas acácias. Foram mais de 350 os voluntários que participaram na 12.ª edição do GIRO, promovido pelo Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial, com o objetivo de defender a serra.
Por Ana João
No século XIX, sob inspiração do romantismo, foram construídos sumptuosos palacetes na Serra de Sintra, rodeados por flora arbórea vinda das mais diversas partes do mundo. As acácias foram uma das espécies exóticas que aí se instalaram e, sobretudo após o incêndio que assolou a serra em 1966, criaram condições para se revelarem invasoras, contribuindo para a perda de biodiversidade.
“A acácia tornou-se invasora porque tem capacidades superiores a outras espécies. Cresce muito rápido, produz muitas sementes e germinam todas. Em certos locais, é possível encontrar mais de mil sementes por metro quadrado, o que gera problemas”, observou Nuno Oliveira, da Parques de Sintra, aquando do briefing aos cerca de 350 voluntários de 26 empresas que, no passado dia 13 de outubro, se juntaram na Tapada do Mouco, para cumprir mais uma ação no âmbito do GIRO.
“Desde 2008, temos sistematicamente feito ações de controlo a esta espécie, recorrendo a meios mecânicos, o que apresenta algumas limitações (pois, se não for arrancada a raiz, a acácia pode crescer ainda com mais intensidade), ou a herbicidas, método que minimizamos ao máximo. O arranque manual em áreas consolidadas é preferível e é isso que vamos fazer hoje”, elucidou o responsável.
Organizados em grupos de 20, os voluntários bateram terreno e, com o apoio dos técnicos, cumpriram o desafio do dia.
Em defesa do território
A ação de voluntariado na Serra de Sintra foi uma das oito iniciativas promovidas pelo Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial (GRACE), no continente e nas ilhas, no âmbito da 12.ª edição do GIRO (GRACE, Intervir, Recuperar e Organizar). Tendo como mote a “defesa do território”, o objetivo foi “dar resposta àquela que foi a grande calamidade este ano, os incêndios, sensibilizando para a conservação, recuperação e uso sustentável da floresta”, referiu Luís Roberto, membro da direção do GRACE.
Congratulando-se com a adesão por parte das empresas, o responsável informou que um total de 57 empresas associadas e perto de 900 colaboradores estiveram envolvidos nesta que é “a maior iniciativa de voluntariado empresarial em Portugal”. “É um facto que a responsabilidade social corporativa passou a fazer parte integrante da vida das empresas. Só no último ano tivemos um incremento de 25 associados, o que é muito positivo.”
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