Dia Fora do Tempo: entre o calendário e a consciência

Segundo o chamado Sincronário das 13 Luas uma adaptação contemporânea inspirada no calendário maia o dia 25 de julho é especial. Chamado de Dia Fora do Tempo, é um intervalo simbólico entre dois anos galácticos, e funciona como um convite à pausa, à conexão com a natureza cíclica e à vivência do tempo como arte.

No calendário gregoriano, o dia 25 de julho é apenas mais uma data. Mas segundo o Sincronário das 13 Luas, inspirado no Tzolkin – o calendário sagrado de 260 dias da tradição maia – e reformulado pelo investigador e artista visionário José Argüelles (1939-2011), é o chamado Dia Fora do Tempo – um espaço simbólico de transição entre dois ciclos, reservado à contemplação, à paz e à arte.

Formalizado em 1990 com a publicação do livro Dreamspell: The Journey of Timeship Earth 2013, de José Argüelles, em coautoria com a sua companheira Lloydine Argüelles, o Sincronário das 13 Luas teve as suas bases lançadas ainda nos anos 80, quando o autor lançou o livro The Mayan Factor: Path Beyond Technology e promoveu a Convergência Harmónica de 1987, um evento espiritual que reuniu milhares de pessoas em meditação coletiva.

O Sincronário das 13 Luas de 28 dias propõe uma alternativa ao calendário gregoriano, adotado no Ocidente desde o século XVI. Enquanto este, repleto de assimetrias, segue lógicas político-religiosas e comerciais, o sincronário alinha-se mais com os ciclos da natureza, lunares e menstruais – com os quais o ser humano sempre esteve em sintonia antes da industrialização. 

Embora não se reja exatamente pelos ciclos lunares astronómico-astrológicos, cada “ano galáctico” tem 13 meses, ou luas, de 28 dias, o que perfaz 364 dias. O 365.º dia, 25 de julho, é considerado um “dia extra”, fora do tempo, dedicado à regeneração espiritual, à arte, ao perdão e à celebração da paz.

“O tempo não é dinheiro. O tempo é arte”, declarou José Argüelles em múltiplas ocasiões – uma frase que viria a tornar-se o lema central deste movimento.

Porquê 25 de julho?

O sincronário define o primeiro dia do ano galáctico como 26 de julho, por estar próximo do nascimento helíaco de Sirius, estrela associada a civilizações antigas como os egípcios e os maias. Assim, o dia anterior torna-se um momento liminar, uma espécie de “ponte entre mundos”.

O Dia Fora do Tempo é um momento de pausa simbólica e coletiva, celebrado por comunidades em todo o mundo com eventos culturais, cerimónias espirituais, meditações, rituais de reconciliação e silêncio consciente. Alguns praticantes dedicam o dia à criação artística, outros ao jejum, à introspeção ou à partilha comunitária. O espírito do dia é de renovação e libertação. 

Uma proposta para o futuro

À medida que crescem as crises de saúde mental, ecológicas e sociais, a proposta de um calendário mais intuitivo e harmónico com os ritmos da Terra começa a atrair atenção fora dos círculos esotéricos. O Dia Fora do Tempo não é apenas uma curiosidade histórica ou espiritual: é um gesto simbólico de resistência ao tempo acelerado, uma oportunidade para escolhermos uma relação mais saudável com os nossos dias.

“Se não mudarmos a forma como vivemos o tempo, nunca mudaremos verdadeiramente a forma como vivemos na Terra”, dizia Argüelles.

Talvez seja esse o maior convite do Dia Fora do Tempo: parar, escutar e renascer, a cada dia, em harmonia com a natureza e o coração.

Foto de Who’s Denilo?

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