Nesta nova rubrica mensal, vamos explorar os oito membros do Yoga, começando com os Yamas, princípios éticos e sociais.
Por Jyoti, professora de Yoga*
4 minutos de leitura
Yama significa “freio” ou “domínio” em sânscrito e é composto por cinco disciplinas morais voltadas para o mundo exterior (e, como resultado, para ti mesm@). Os Yamas convidam a refletir sobre as tuas interações e o teu papel na sociedade. É uma oportunidade para pensares quem és e como podes viver de uma forma mais autêntica, consciente e alinhada.
Hoje vamos focar em ahimsa.
O que é Ahimsa?
Ahimsa traduz-se como não-violência. Muitas pessoas pensam na não-violência como um princípio de figuras histórias como Gandhi ou Martin Luther King., e entendem que significa apenas não cometer atos físicos violentos. Claro, não devemos causar dano físico, mas, como acontece com todas as palavras em sânscrito, ahimsa tem um significado mais profundo.
Ao aprofundarmos a filosofia yogi, vamos considerar os termos em três níveis: pensamentos, palavras e ações. Todos estão conectados: os teus pensamentos tornam-se palavras, as palavras tornam-se ações, as ações tornam-se hábitos, os hábitos moldam o teu caráter e o teu caráter constrói os teus valores.
Então, ahimsa significa ser não-violento para com os outros e contigo própri@, nos três níveis: pensamento, palavra e ação.
Ahimsa ao nível do pensamento
Os humanos têm milhares de pensamentos por dia. Alguns felizes, alguns tristes, alguns positivos, alguns negativos, uns úteis, outros repetidos, alguns novos, alguns causam ansiedade, outros alegria. A lista é infinita.
Muitas vezes, não prestamos atenção à qualidade ou ao tipo de pensamentos que temos. Repetimos os mesmos pensamentos enquanto ruminamos ou nos preocupamos, sem perceber o padrão nem o dano que nos causamos.
Ao trazeres consciência aos teus pensamentos, podes começar a questioná-los:
- São gentis?
- São verdadeiros?
- São úteis?
- De onde vieram?
- Como me fazem sentir?
É aqui que a meditação ajuda. Observa os teus pensamentos, sobre ti e sobre os outros. Sem julgar, apenas a notar e a perceber o que surge, talvez anotando num diário.
Com o tempo, vais perceber padrões: vais ter os mesmos pensamentos repetidamente; muitos deles não são úteis nem verdadeiros e estão impregnados de condicionamentos da infância – histórias que te tens contado ou que outros te contaram e que, com o tempo, aceitaste como verdade.
Quando reconheces que não são a tua verdade, podes começar a desidentificar-te desses pensamentos. Quando surgirem, agradece-lhes por tentarem proteger-te e deixa-os ir. O cérebro tenta manter-te seguro – e o que é mais seguro do que aquilo que conheces e te foi ensinado? A mudança e o desconhecido podem assustar. Mas é aí que a magia acontece e onde começas o verdadeiro eu.
Ahimsa ao nível da palavra
Repara em como falas com os outros e contigo própri@. Tendemos a falar com gentileza e compaixão aos outros, especialmente aos melhores amigos. Mas às vezes falamos connosco com raiva, frustração, deceção.
Falamos de nós de forma crítica, seja a sério ou através de piadas autodepreciativas. A mente não distingue piada de verdade, por isso começa a falar contigo com bondade. A maioria de nós nunca falaria com outra pessoa como fala consigo mesm@. Permitimos que a crítica interna funcione livremente, diminuindo-nos e repreendendo-nos.
Lembra-te: o relacionamento mais longo que tens é contigo própri@. Que tipo de relação queres ter? Eu quero ter uma relação comigo mesma cheia de bondade, amor, compaixão, leveza e graça. Quero ser a minha melhor amiga.
É uma prática para a vida toda, não uma solução da noite para o dia, mas vale completamente a pena. És @ autor@ da tua própria vida – que história queres escrever?
Ahimsa ao nível físico
Ahimsa também pode significar não causar dano físico a outros e a nós mesmos – todos sabemos que isso está errado. Se reparares que tens tendências violentas, questiona por que estás a agir assim e de onde vem.
Questiona também atitudes em que te colocas obstáculos, como procrastinação ou auto-sabotagem. Torna-te consciente desses padrões, sem julgamento, observa e depois questiona:
- Por que faço isto?
- Do que tenho medo?
Muitas vezes, temos medo de ser totalmente vistos ou de ter sucesso. Considera como podes mudar a narrativa que tens contado a ti própri@.
Senta-te com estas ideias e sê gentil contigo. Medita sobre estes conceitos, observa a tua mente, escreve no diário o que surge e começa a remover camadas. Dá-te amor, compaixão e bondade. Lembra-te: estas narrativas e comportamentos falsos levaram anos a construir, não desaparecem da noite para o dia.
Vai no teu ritmo. Não há maneira certa ou errada, nem cronograma. Yoga é uma jornada pessoal de introspeção.
* Artigo adaptado do original publicado pelo parceiro ekotexyoga.co.uk.
Foto de Lina Trochez
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