Medicina Integrativa e os seus princípios

Assinalando o Dia Internacional da Medicina Integrativa, a 23 de janeiro

Por Dra. Ana Moreira, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Integrativa

A Medicina Integrativa representa uma evolução consciente e necessária da prática médica contemporânea. Não se trata de uma alternativa à medicina convencional, mas de um modelo clínico avançado que integra, de forma rigorosa e baseada na evidência científica, a medicina convencional com abordagens complementares seguras, eficazes e centradas na pessoa.

Num contexto global marcado pelo aumento das doenças crónicas, do envelhecimento populacional e da fragmentação dos cuidados de saúde, a Medicina Integrativa surge como uma resposta estruturada e humanista. Este modelo é reconhecido e incentivado por entidades internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde, que defende a integração responsável de práticas complementares nos sistemas de saúde, com critérios de segurança, qualidade e eficácia.

Os princípios fundamentais da Medicina Integrativa assentam em cinco pilares essenciais:

Centralidade da pessoa

O primeiro é a centralidade da pessoa, e não apenas da doença. O doente é visto de forma global, considerando dimensões físicas, emocionais, mentais, sociais e ambientais, respeitando a sua individualidade, valores e objetivos de saúde.

Integração terapêutica baseada na evidência

O segundo princípio é a integração terapêutica baseada na evidência. Todas as intervenções — sejam farmacológicas, nutricionais, comportamentais ou biológicas — devem assentar em dados científicos, experiência clínica qualificada e avaliação contínua de resultados.

Prevenção ativa e promoção da saúde

O terceiro pilar é a prevenção ativa e a promoção da saúde, com foco na identificação precoce de desequilíbrios funcionais, na modulação de fatores de risco e no fortalecimento da capacidade autorregenerativa do organismo.

Relação terapêutica sólida

O quarto princípio é a relação terapêutica sólida, baseada na escuta ativa, na empatia e na decisão partilhada. O tempo clínico, muitas vezes escasso na prática convencional, é aqui um instrumento terapêutico essencial.

Trabalho multidisciplinar

Por fim, a Medicina Integrativa valoriza o trabalho multidisciplinar, promovendo a colaboração entre médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e outros profissionais de saúde, sempre com coordenação médica.

Assinalar o Dia Internacional da Medicina Integrativa é reafirmar um compromisso com uma medicina mais completa, científica, ética e humana. Uma medicina que não substitui, mas amplia; que não fragmenta, mas integra; e que coloca verdadeiramente a pessoa no centro dos cuidados de saúde do século XXI.

Referências:

Maizes V, Rakel D, Niemiec C.

Integrative Medicine and Patient-Centered Care.

The American Journal of Medicine, 2009; 122(6):561–566.

DOI: 10.1016/j.amjmed.2009.01.022

— Fundamenta os princípios de centralidade no doente, relação terapêutica e integração clínica baseada na evidência.

Horrigan B, Lewis S, Abrams DI, Pechura C.

Integrative Medicine in America: How Integrative Medicine Is Being Practiced in Clinical Centers Across the United States.

Global Advances in Health and Medicine, 2012; 1(3):18–94.

DOI: 10.7453/gahmj.2012.1.3.018

— Descreve modelos reais de prática clínica integrativa, multidisciplinaridade e governação médica.

Jonas WB, Chez RA.

Toward Optimal Healing Environments in Health Care.

Journal of Alternative and Complementary Medicine, 2004; 10(Suppl 1):S-1–S-6.

DOI: 10.1089/1075553042245907

— Sustenta os conceitos de abordagem holística, promoção da saúde, prevenção e ambientes terapêuticos integrados.

Foto de freepik

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