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O Ano Novo Chinês inicia-se sempre na segunda Lua Nova após o solstício de inverno do hemisfério norte. Este ano, a Lua Nova de 17 de fevereiro dá início ao Ano do Cavalo de Fogo, uma das combinações mais dinâmicas do ciclo sexagenário da astrologia chinesa.
Este sistema calendárico, utilizado há mais de dois mil anos, resulta da conjugação entre observação astronómica e organização simbólica do tempo. A sua estrutura foi historicamente desenvolvida em contexto imperial e continua a ser estudada por instituições como o Purple Mountain Observatory, um dos principais centros de investigação astronómica da China, e divulgada em espaços de referência internacional como o British Museum, que documentam a sofisticação científica e cultural do calendário lunissolar chinês.
Cada ano é definido pela combinação de um dos doze animais do zodíaco com um dos cinco elementos (Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água), formando um ciclo completo de 60 anos. O Cavalo é o sétimo animal da sequência e está associado ao movimento, à autonomia, à expressão individual e à vitalidade. É um signo de natureza yang, ligado ao meridiano do coração na medicina tradicional chinesa e à dimensão da ação no mundo.
O elemento Fogo, por sua vez, simboliza consciência, expansão, visibilidade e transformação. Quando se combina com o Cavalo – que já possui uma natureza intrinsecamente dinâmica – intensifica características como a rapidez, a liberdade e a afirmação de identidade.
O significado do Cavalo de Fogo
Na leitura tradicional, os anos do Cavalo tendem a estar associados a períodos de aceleração social e cultural. A presença do elemento Fogo reforça temas como liderança, exposição, criatividade e inovação, mas também pode trazer maior impulsividade e volatilidade emocional.
Textos clássicos da cosmologia e da medicina chinesa, como o Huangdi Neijing, estudados atualmente em universidades como a Beijing University of Chinese Medicine, relacionam o elemento Fogo com o Shen, conceito que pode ser traduzido como consciência ou mente-coração. Isto sugere que este não é apenas um ciclo de ação exterior, mas também um período em que se torna essencial alinhar decisões com a dimensão interna e com a clareza de propósito.
A intensidade do Fogo torna igualmente relevante a gestão da energia física e emocional. A tradição chinesa sublinha a importância do equilíbrio entre atividade e repouso em períodos de forte dinamismo, para evitar estados de dispersão ou esgotamento.
O simbolismo da Lua Nova
O facto de o ano novo chinês começar numa Lua Nova cria uma ponte simbólica entre a astrologia chinesa e a astrologia ocidental. A Lua Nova é tradicionalmente interpretada como um momento de início de ciclo, associado à definição de intenções e ao nascimento de novos processos.
Neste contexto, o Ano do Cavalo de Fogo pode ser entendido como um tempo favorável para iniciar projetos, mudar de direção profissional, tomar decisões que estavam em espera e redefinir prioridades pessoais.
Do ponto de vista simbólico, este ciclo favorece tudo o que envolve movimento e inovação: mobilidade, novas formas de trabalho, empreendedorismo, criatividade e transformação de estruturas rígidas. Em contrapartida, contextos excessivamente estáticos ou baseados apenas na repetição de modelos tendem a tornar-se mais instáveis.
Num tempo histórico marcado por mudanças aceleradas, o Ano do Cavalo de Fogo surge como um convite a avançar com clareza e consciência e a transformar impulso em direção.
Referências:
Encyclopaedia Britannica – Chinese calendar
https://www.britannica.com/topic/Chinese-calendar
Beijing University of Chinese Medicine (BUCM).
https://english.bucm.edu.cn
Purple Mountain Observatory (PMO), Nanjing, China. http://english.pmo.cas.cn
Foto de Missi Köpf
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