Por Ana João
A disbiose é a designação dada ao desequilíbrio da microbiota intestinal, isto é, da população de micróbios que vive no nosso intestino. A microbiota intestinal cumpre diversas funções importantes para o organismo. Um desequilíbrio no seu funcionamento pode comprometer a digestão, inibir a produção das vitaminas B e K e promover o crescimento de microorganismos potencialmente patogénicos. Acredita-se que a disbiose intestinal desempenha um papel em muitas doenças crónicas e degenerativas.
Sintomas
Entre os sintomas mais comuns de disbiose intestinal, incluem-se:
- Flatulência,
- Alteração do ritmo intestinal,
- Dor abdominal,
- Distensão abdominal,
- Obstipação e/ou diarreia.
Possíveis causas
Vários fatores associados à vida ocidental moderna têm um impacto negativo sobre a microbiota, contribuindo para a disbiose intestinal.
Antibióticos
O uso de antibióticos é a causa mais comum de alterações na microbiota intestinal1. Estes fármacos devem ser usados com moderação e selecionados com cuidado a fim de minimizar o impacto sobre a microbiota intestinal e a saúde1.
Stresse
O stresse pode alterar o funcionamento gastrointestinal e a microbiota, incluindo diminuir a quantidade de bactérias benéficas, como lactobacilos e bifidobactérias, e aumentar o número de microorganismos patogénicos, como E. coli1.
Infeções intestinais
Após um episódio de infeções intestinais, como diarreia do viajante, cerca de 8 a 15% dos doentes relatam persistência dos sintomas de disbiose, a chamada síndrome do intestino irritável (SII).
Alimentação
O consumo de alimentos ricos em compostos de enxofre (incluindo sulfito e sulfato), em proteínas e /ou ricos em carne pode produzir alterações na composição da microbiota ou o aumento da produção de metabolitos bacterianos1.
Fontes de sulfato
- Conservantes,
- Vegetais desidratados,
- Marisco (fresco ou congelado),
- Sumos de frutas embalado,
- Pão branco,
- A maioria das bebidas alcoólicas.
Fontes de aminoácidos contendo enxofre
- Leite,
- Queijo,
- Ovos,
- Carne de vaca,
- Vegetais crucíferos.
Sabias que…
Estima-se que, em indivíduos que fazem uma dieta ocidental típica (contendo aproximadamente 100 g de proteína/dia), cerca de 12 g de proteína/ dia podem escapar à digestão e serem fermentadas pela microbiota intestinal, o que pode aumentar a produção de metabolitos bacterianos potencialmente nocivos1.
A redução da ingestão de proteínas na dieta, bem como o consumo de dietas ricas em fibras e/ou amido, pode diminuir a produção de compostos tóxicos no intestino1.
As dietas ricas em açúcares simples tornam o trânsito intestinal mais lento e possivelmente provocam alterações na composição da microbiota1.
1 Emeran A. Mayer et al, Brain Gut Microbiome Interactions and Functional Bowel Disorders. Gastroenterology. 2014 May; 146(6): 1500–1512.
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