O ciclo de aproximadamente 25.800 anos da precessão dos equinócios é considerado pela tradição esotérica de algumas civilizações e culturas como tendo dois períodos de 12.900 anos: um descendente (de queda espiritual) e um evolutivo (de despertar espiritual). Indo ao encontro do investigador indiano Bibhu Dev Misra, que no livro Yuga Shift: The End of the Kali Yuga & the Impending Planetary Transformation calcula o ano de 2025 como o fim de um ciclo involutivo, a Associação Internacional de Astrologia Humanista e Transpessoal aponta o equinócio de 20 de março como o turning point de um retorno gradual a uma era de maior consciência e conexão espiritual.
A comunidade astrológica defende largamente que 2025 e 2026 são anos importantes do ponto de vista cósmico. Este ano, todos os planetas do sistema solar mudam de signo – com exceção de Plutão, que, qual arauto, mudou para Aquário em novembro de 2024 (aí ficando até 2044) – e “não há memória nas efemérides, até onde conseguimos ir, de tal ter acontecido na história da Humanidade”. Di-lo Helena Sofia, astróloga e professora na Escola Trígono de Fogo, notando que a 20 de fevereiro de 2026 acontecerá uma conjunção entre Saturno e Neptuno “no grau de poder do Zodíaco, um grau absolutamente mágico – o grau zero de Carneiro”. “A ter acontecido antes, atribui-se há muitos milhares de anos”, afirma, defendendo que “estamos na charneira de um novo tempo, de uma nova Humanidade”.
A conjunção de 2026 entre Saturno e Neptuno no ponto vernal do zodíaco foi, de resto, considerada pelo astrólogo francês André Barbault (1921-2019) como “a configuração mais benéfica do século, que contribuirá para o esplêndido relançamento da civilização”. Um fenómeno que ocorrerá pouco antes de um também interessante e raro stellium entre a Lua, Mercúrio, Neptuno, Marte, Saturno, o Sol e o planetóide Quíron a 15 de abril de 2026, no signo de Carneiro…
Mas voltando a 2025, o astrólogo e investigador Luís Resina, presidente da Associação Internacional de Astrologia Humanista e Transpessoal (AIAHT), nota algo significativo a acontecer nos céus já este mês, no dia do equinócio da primavera, a 20 de março: “Algumas horas antes de entrar no grau zero de Carneiro, o Sol passa por Neptuno, regente de Peixes, que está no último grau deste último signo do Zodíaco, no fim da Era de Peixes… “Não encontrei registo de algo igual nos últimos dois mil anos.”
Março é aliás um dos meses mais interessantes do ano, do ponto de vista astrológico. Além do equinócio, recordamos alguns eventos:
- duas retrogradações quase simultâneas de Vénus, de 2 de março a 12 de abril, e Mercúrio, de 15 de março a 7 de abril – praticamente nos mesmos graus, entre os primeiros de Carneiro e os últimos de Peixes;
- um eclipse lunar total (conjunto ao Nodo Sul) no dia 14 a 23º do eixo Virgem/Peixes;
- um eclipse parcial do Sol no dia 29, a 9º de Carneiro,
- a entrada inaugural de Neptuno em Carneiro a 30 de março, depois de ter estado em Peixes desde 2012. A última vez que esteve em Carneiro foi entre 1862 e 1875.
O fim da Era de Ferro ou Kali Yuga
Apoiado nas suas pesquisas astrológicas, bem como na investigação sobre o ciclo da precessão dos equinócios – fenómeno que na tradição hindu se chama Ciclo Yuga, e que é conhecido desde há milénios pelos povos védicos, egípcios, maias e outros –, Luís Resina defendeu, numa palestra a 8 de março, que o equinócio da primavera no dia 20 marca “o fim de um ciclo involutivo de cerca de 12900 anos, a última fase da chamada Idade de Ferro ou Kali Yuga, e o início de um ciclo ascendente” com a mesma duração.


Representações de um Ciclo Yuga completo de 25.800 anos – as quatro Idades. Créditos: livro Yuga Shift.
Quase todas as culturas antigas acreditavam que a civilização humana e a consciência têm vindo a decair progressivamente desde uma antiga Era Dourada, ou Satya Yuga, até à atual era de ganância, mentiras, discórdia e conflito, conhecida como Era de Ferro ou Kali Yuga. Notando que “o tempo é circular e em espiral”, o presidente da AIAHT vai ao encontro do investigador indiano Bibhu Dev Misra, que no livro Yuga Shift: The End of the Kali Yuga & the Impending Planetary Transformation, usando o modelo dos Ciclos Yuga e o calendário Saptarshi, calcula o ano de 2025 como o fim da Era de Ferro e o início do oitavo Manvantara.
Sustentando parte da palestra em reflexões desse livro, Luís Resina afirmou: “A linha do tempo revisada do Ciclo Yuga mostra que a Era de Ouro anterior terminou em 10.876 a.C., seguida pelo período estendido de transição chamado Kataklysmos, o ‘grande inverno’ do Ciclo Yuga – um período de 1200 anos de frio congelante conhecido como Dryas recente. O Ciclo Yuga descendente começou em 9676 a.C e chega ao fim em 2025. Será seguido por outro período de transição de 1200 anos chamado Ekpyrosis – o ‘grande verão’ do Ciclo Yuga, quando o mundo será purificado e renovado”.
Defendendo que “estamos exatamente na fase do turning point”, o professor acredita que, “a partir do equinócio, o poder sombrio do planeta vai começar a ir embora”. Não descarta, contudo, o “risco de guerras” e considera que “os próximos 15 anos serão fundamentais para a história do Planeta”. “Estamos na chamada era quântica, de alinhamento dos corpos subtis”, afirmou, instigando à “sintonização cósmica” e ao “empoderamento do Deus interior, que Carl Jung [1875-1961] chamava de Self”. “Se queremos entrar na via do dharma, é preciso fazer o processo de individuação e o alinhamento com a alma.”
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