Assinala-se hoje, 15 de maio, o Dia Internacional da Família
4 minutos de leitura
Por Maria Gorjão Henriques, terapeuta e fundadora do projeto Consciência Sistémica
Há momentos na vida em que sentimos que andamos a repetir padrões nos relacionamentos, emoções que voltam e bloqueios que parecem não ter explicação.
As Constelações Familiares surgem como um caminho para olhar para essas repetições, transformando o julgamento que as origina em compreensão e compaixão.
De forma simples, uma constelação é um processo terapêutico que nos ajuda a ver a nossa história pessoal e familiar com mais consciência e, sobretudo, com mais compreensão e Amor.
O que são Constelações Familiares?
As Constelações Familiares são uma abordagem que permite tornar visível aquilo que muitas vezes está escondido.
Uma constelação é um processo terapêutico que nos ajuda a ver a nossa história pessoal e familiar com mais consciência e, sobretudo, com mais compreensão e Amor.
Cada pessoa faz parte de um sistema familiar e, dentro desse sistema, existem histórias, emoções e experiências que, mesmo sem nos apercebermos, continuam a influenciar a nossa vida.
Às vezes, estamos identificados com pesos que não são apenas nossos:
- Lealdades invisíveis,
- Dores antigas,
- Padrões que se repetem de geração em geração.
Uma constelação ajuda a trazer isso à luz.
E quando a verdade que estava oculta tem espaço para se revelar pode finalmente libertar-se e transformar-se.
Como funciona uma constelação?
Numa sessão em grupo, uma pessoa traz um tema que deseja trabalhar que pode ser um desafio emocional, um problema num relacionamento, uma dificuldade profissional ou até um sintoma físico.
Depois, com a orientação do facilitador, escolhe pessoas do grupo para representarem elementos do seu sistema (familiares ou aspetos da situação).
Esses representantes entram em sintonia com o campo morfogenético e começam a mover-se no espaço de forma espontânea, guiados pelas sensações que surgem através dos seus corpos e que muitas vezes surgem revelando dinâmicas profundas:
- relações interrompidas,
- emoções não expressas,
- exclusões no sistema,
- vínculos invisíveis.
E desta forma o que estava oculto começa a ganhar forma.
Um processo baseado na observação
As constelações não procuram explicar, procuram mostrar que foi escondido e silenciado.
É um processo fenomenológico, ou seja, baseado naquilo que se revela no momento, sem interpretações ou julgamentos.
Em vez de se “centrar sobre o problema”, olha para a solução, procurando revelar a a dinâmica oculta que está a alimentar a repetição do padrão.
O papel do facilitador
O facilitador acompanha o processo com presença e sensibilidade.
Através de pequenas orientações designadamente frases simples ou movimentos de reconciliação, o Facilitador ajuda a restabelecer o equilíbrio no sistema.
O objetivo não é “resolver” à força, mas permitir que o amor volte a encontrar o seu lugar e a fluir para que cada elemento do sistema possa reencontrar o seu lugar.
Participar também transforma
Mesmo quem não traz um tema pessoal pode beneficiar profundamente.
Ao participar como representante ou ao assistir, é comum reconhecer partes da própria história no que está a acontecer.
Como se, no espelho do outro, algo dentro de nós também fosse visto.
E tudo o que é visto… pode ser integrado.
Os efeitos de uma constelação
Cada pessoa vive o processo de forma única.
Para alguns, há uma sensação imediata de alívio ou clareza.
Para outros, a transformação acontece de forma mais gradual.
É como plantar uma semente.
Algo começa naquele momento e continua a desenvolver-se ao longo do tempo.
Quando olhamos para o passado com respeito, sem negar e sem julgar, algo muda dentro de nós.
Não podemos alterar o que aconteceu.
Mas podemos transformar a forma como interpretamos, aceitamos e compreendemos a realidade.
E é justamente nesse reconhecimento que surge a verdadeira libertação.
Do amor com dor ao amor com consciência
Muitas das nossas dores estão ligadas ao amor mas a um amor inconsciente.
Um amor que leva a repetir histórias, a carregar pesos ou a permanecer ligado ao sofrimento.
Nas constelações, esse amor pode transformar-se.
Passa de um amor que prende, de um Amor apego para um amor que liberta.
Um amor com consciência.
A dignidade que cura
Um dos princípios mais profundos deste trabalho é simples:
Tudo o que foi vivido precisa de ser reconhecido.
Quando olhamos para o passado com respeito, sem negar e sem julgar, algo muda dentro de nós.
Não podemos alterar o que aconteceu.
Mas podemos transformar a forma como interpretamos, aceitamos e compreendemos a realidade.
E é justamente nesse reconhecimento que surge a verdadeira libertação.
Uma nova forma de olhar a vida
As Constelações Familiares não são apenas uma técnica.
São um convite. Uma abordagem filosófica, um convite a olhar para a vida com mais consciência, com mais compaixão e profunda aceitação.
A grande transformação começa quando deixamos de lutar contra a nossa história e começamos a integrá-la com Amor, compaixão e Consciência.
Unidos num só Coração ao serviço da Vida e do Amor.
Foto de Mike Scheid
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