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Por Jyoti, professora de Yoga*
Nesta rubrica mensal, continuamos a explorar os oito membros do Yoga, começando pelos Yamas – princípios éticos e sociais. Yama significa “freio” ou “domínio” em sânscrito e é composto por cinco disciplinas morais orientadas para o mundo exterior (e, como consequência, para ti própri@). Os Yamas convidam-nos a refletir sobre as nossas interações e o nosso papel na sociedade, a observar quem somos e como podemos viver de forma mais autêntica, consciente e alinhada. O Yama deste mês é Brahmacharya, que se traduz por moderação, autodomínio, uso consciente da energia.
O quarto Yama é brahmacharya. Este termo tem vários significados – incluindo celibato e moderação – o que faz com que seja um Yama por vezes impopular ou mal compreendido. No entanto, este princípio oferece uma forma muito bonita de explorar onde colocamos a nossa energia – seja ela sexual ou de outra natureza.
Em sânscrito, Brahma significa Deus / força criativa / divino / a palavra que fizer mais sentido para ti, enquanto charya significa “seguir”. Como Brahma está dentro de todos nós, brahmacharya significa utilizar o seu prana (energia vital) para o seu bem mais elevado. Trata-se de usar a nossa energia de forma correta. Convida-nos a observar como direcionamos a nossa energia, afastando-a dos desejos externos e orientando-a para encontrar paz e felicidade dentro de nós mesmos. Trata-se de preservar a nossa energia e não a desperdiçar em coisas que não servem o nosso propósito – ao nível do pensamento, da palavra ou da ação.
Onde gastamos a nossa energia?
Sabemos que tudo o que existe na criação é feito de energia – a ciência moderna já o demonstrou. Mas e a nossa própria energia? Que sementes está a regar? Como gastas a tua energia? Onde está o teu prana a ser esgotado?
Vivemos num mundo que idealiza estar ocupado, numa sociedade que mede o valor das pessoas pela produtividade – uma cultura de constante esforço. Gastamos energia em coisas que não nos servem: preocupar-nos, tentar ser alguém que não somos para agradar aos outros, obsessões com alcançar aquele “corpo perfeito”, e assim por diante. Vivemos numa cultura onde descansar é visto quase como um ato radical. Cuidar de nós próprios é considerado um luxo. Escutar o corpo é raro. Estar em silêncio e quietude parece desconfortável. Tudo isto pode ser prejudicial para a nossa saúde física e mental. Pode ser ótimo para a economia, mas não necessariamente para uma boa vida.
Como podemos usar a energia de forma consciente
À medida que cada vez mais pessoas reconhecem que muitas vezes estão a perder energia e a esgotar-se desnecessariamente, a prática de Yoga pode ajudar a orientar o uso correto dessa energia. Nas minhas aulas de asana, incentivo constantemente os alunos a notar como se sentem em diferentes momentos, a sintonizarem-se com aquilo de que o corpo precisa e a moverem-se de uma forma que lhes pareça boa – sabendo que isso varia de dia para dia, porque somos seres cíclicos.
Podemos levar esta prática para além do tapete e reservar momentos para fazer uma pausa e ouvir o nosso corpo em qualquer circunstância. Através da meditação, aprendemos a observar os nossos pensamentos em vez de nos identificarmos com eles. Aprendemos que os pensamentos não são factos e que podemos deixá-los passar, como nuvens no céu. Percebemos que a mente gosta de vaguear e de estar ocupada; por isso, podemos dar-lhe algo em que focar-se, em vez de ficar presa a ruminar o passado ou a preocupar-se com o futuro.
Podemos levar esta atenção para fora do tapete, reparando quando pensamos demais e tornando-nos observadores da mente.
Protejamos a nossa energia
Nos últimos anos, muitos de nós fomos levados a refletir sobre o que realmente importa. Essa reflexão pode ajudar-nos a compreender melhor os nossos valores e limites, e a criar uma vida que proteja e valorize a nossa energia.
Digamos não a uma cultura que recompensa o gasto excessivo de energia e o burnout. Usemos a nossa energia com sabedoria e deixemos ir o que já não nos serve. Passemos mais tempo com quem nos ilumina e menos com quem nos esgota. Honremos os nossos limites e vivamos uma vida alinhada com os nossos valores. Cuidemos de nós e da nossa energia.
Reflexão pessoal: journaling
Reserva algum tempo para escrever num diário sobre as seguintes questões e refletir sobre a tua energia e sobre como podes protegê-la:
- Para onde estás a direcionar a tua energia?
- Como podes escutar o corpo com mais frequência?
- Como podes priorizar o descanso?
- O que ou quem te faz sentir viv@ e inspirad@? Como podes cultivar mais isso na tua vida?
- O que ou quem te faz sentir em baixo? Como podes criar mais distância disso?
Com amor e gratidão.
*Artigo adaptado do original publicado pelo parceiro Ekotex Yoga.
Foto de Fito García
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