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Por Vasant Lad, médico de Ayurveda, fundador do The Ayurvedic Institute*

Assinala-se hoje, 22 de julho, o Dia Mundial do Cérebro.
O cérebro é um órgão vital. Este órgão maior é governado pelo tecido nervoso (majjā dhātu) e é fundamental para o sistema nervoso central. Segundo o Ayurveda, o sistema milenar de medicina da Índia, três subdoshas – tarpaka kapha, sādhaka pitta e prāna vāta – são responsáveis pela organização do cérebro. O prāna vāta transporta a informação sensorial para o cérebro e as respostas motoras, enquanto o sādhaka pitta governa as funções intelectuais superiores, a compreensão e o entendimento. O tarpaka kapha é uma película sensível que regista todas as experiências.
O Ayurveda ensina que a saúde cerebral depende da integridade funcional entre prāna vāta, sādhaka pitta e tarpaka kapha. O cérebro é o principal assento da consciência, da memória, do intelecto, do raciocínio e da compreensão. Toda a personalidade depende do desenvolvimento do cérebro. Na filosofia ayurvédica, um cérebro equilibrado é constituído por consciência pura e é uma expressão da consciência através do cérebro superior (shirobrahma, em sânscrito). Mantém o equilíbrio do corpo através do cerebelo (shiroloma).
As células cerebrais estão constantemente a pensar, sentir e avaliar. O pensamento é uma resposta bioquímica, neuromagnética e neuroelétrica complexa proveniente das células da memória. Devido à interação constante entre pensamentos, sentimentos e emoções, cada pensamento cria um sulco no cérebro. O cérebro sente-se confortável a funcionar ao longo desses sulcos. Neste contexto, o cérebro humano é, de certa forma, limitado.
Com a acumulação destes sulcos, o cérebro acaba por ficar “marcado”. Este processo faz com que o cérebro se torne senil, lento e pesado no quotidiano, e a pessoa começa a esquecer-se das coisas. O cérebro sofre degeneração e desgaste, começando literalmente a encolher. Muitos neurónios simplesmente morrem, o que conduz à perda de memória e a uma resposta inadequada aos desafios. Isto, por sua vez, acelera o envelhecimento. É por isso que o cérebro necessita de rejuvenescimento (rasāyana), um aspeto importante da terapêutica ayurvédica.
Seguem-se três das principais plantas rasāyana do Ayurveda benéficas para o cérebro. A brahmi apoia o sādhaka pitta, a jatamāmsi sustenta o tarpaka kapha, e a shankha pushpī mantém o prāna vāta.
Brahmi
A brahmi (Centella asiatica) atua sobre o sādhaka pitta, ajudando a manter a inteligência celular, a compreensão e as funções intelectuais superiores. Tem sabor amargo e adstringente, natureza refrescante e vipāka (efeito pós-digestivo) doce. Pacifica os três doshas.

A brahmi é leve, oleosa e expansiva; melhora a memória, promove a comunicação intercelular e favorece a longevidade celular. É antiepilética e antipsicótica. É considerada um excelente tónico alterativo e energizante mental, rejuvenescendo o cérebro. Segundo a literatura ayurvédica, é também um antidepressivo bem conhecido.
A brahmi traz clareza de perceção e melhora a capacidade de expressão verbal. Ajuda a regular a pressão arterial, melhora a circulação cerebral e prolonga a longevidade do indivíduo.
No Ayurveda, a brahmi pode ser utilizada em comprimidos, em infusão, ou sob a forma de brahmi ghee (mistura da erva com ghee) para administração nasal. A brahmi é a principal erva responsável por manter a integridade funcional do sādhaka pitta.
Para preservar a saúde cerebral, utiliza-se o brahmi ghee em nasya, prática ayurvédica que consiste na aplicação de substâncias medicadas nas narinas. Devem colocar-se cinco gotas de brahmi ghee morno em cada narina. Esta aplicação ativa os ciclos respiratórios direito e esquerdo, atuando sobre o sādhaka pitta e despertando a inteligência celular, a compreensão e o entendimento, ajudando a manter a consciência celular. O Ayurveda ensina em profundidade prānāyāma (exercícios respiratórios) e a meditação, e o nasya com brahmi ghee é benéfico para ambas as práticas.
Jatamāmsi
A jatamāmsi (Nardostachys jatamamsi) atua especificamente sobre o tarpaka kapha e melhora a integridade funcional dos três subdoshas cerebrais: tarpaka kapha, sādhaka pitta e prāna vāta.

A jatamāmsi tem sabor amargo, adstringente e doce, natureza refrescante e vipāka doce. Pacifica os três doshas. O seu prabhāva (efeito especial) é melhorar a memória e a inteligência celular. Em sânscrito, esta planta é chamada bhūta nashini, que significa “aquela que remove possessões por espíritos malignos”.
A jatamāmsi nutre a perceção celular e preserva a informação celular na matriz profunda do tarpaka kapha. O tarpaka kapha é responsável pela nutrição da perceção e das sensações celulares. Toda a informação celular e as experiências de vida ficam registadas no campo sensível do tarpaka kapha. A jatamāmsi facilita o acesso à memória recente e remota, funcionando especialmente bem em conjunto com a brahmi para aumentar a consciência momento a momento.
Esta planta é um tónico nervino que melhora a função cognitiva das células cerebrais, promove uma boa tez, atua como tranquilizante e anticonvulsivante. Favorece a tranquilidade, a paz interior e o estado de bem-aventurança.
A jatamāmsi pode ser utilizada em infusão ou sob a forma de óleo medicinal aplicado na pele. Esta aplicação cutânea abre as portas da perceção para níveis mais profundos de consciência.
Shankha Pushpi
A shankha pushpi (Evolvulus alsinoides) atua principalmente sobre o prāna vāta, responsável pela coordenação entre os estímulos sensoriais e as respostas motoras. O prāna é a força vital e mantém a respiração celular.

Segundo o Ayurveda, no corpo humano cada célula é um centro de consciência celular; cada célula é uma unidade funcional viva e consciente, dotada de inteligência, memória e comunicação celulares. O fluxo desta comunicação e inteligência é o prāna. Assim, esta comunicação é essencial para manter a saúde cerebral.
A shankha pushpi tem sabor adstringente e amargo, natureza refrescante e vipāka doce. É um tónico rejuvenescedor geral e pacifica os três doshas. Mantém a respiração celular, promove a memória e melhora o fluxo da inteligência celular.
Esta comunicação celular é necessária para preservar a saúde do cérebro.
A shankha pushpi também reduz a febre e a inflamação, atua como desintoxicante hepático e anti-helmíntico (ajudando no tratamento de parasitas intestinais), além de ter propriedades antiepiléticas. Atua ainda como afrodisíaco e tranquilizante suave, ajudando a reduzir a depressão. Por fim, ajuda a consolidar as fezes, sendo frequentemente utilizada em casos de diarreia.
A shankha pushpi pode ser utilizada em infusão, em pó com água morna, ou sob a forma de óleo medicinal aplicado na pele. Pode também ser tomada como ghee medicinalizado, uma colher de chá duas vezes por dia. Esta preparação nutre diretamente a bainha de mielina, ajudando a prevenir doenças como a esclerose múltipla e a doença de Alzheimer.
*Excerto traduzido e adaptado com autorização do original “Maintaining a Healthy Brain” © 2026 The Ayurvedic Institute and Ayurveda Today.
Imagem em destaque gerada por Inteligência Artificial.
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