Tapas, um olhar sobre disciplina 

4 minutos de leitura

Por Jyoti, professora de Yoga*

Nesta jornada pelos oito membros do yoga, explorámos os cinco yamas, os princípios sociais – não-violência, verdade, não-apropriação, uso consciente da energia e desapego. Estudamos agora os cinco niyamas, as disciplinas morais dirigidas a nós próprios e, como consequência, ao mundo exterior. Iniciámos com pureza (saucha) e aceitação (santosha). Este mês, refletimos sobre tapas, que significa disciplina.

Tapas significa austeridade ou disciplina. Vem da palavra-raiz “tap”, que significa queimar, brilhar, emitir calor. Isto pode ser entendido como queimar quaisquer impurezas – físicas, mentais e emocionais – para dar lugar ao nosso eu mais elevado. Também significa ser disciplinad@ e trabalhador@ em relação a esse propósito. Mas não tem de ser super sério! Podemos olhar para isso como entusiasmo e uma paixão ardente pelo nosso crescimento pessoal e pelos nossos objetivos.

Podemos fazê-lo estando presentes para nós próprios todos os dias – mesmo quando não nos apetece. Isto é algo com que todos lutamos. 

Descanso ou procrastinação? 

Tenho reparado que tenho tendência para disfarçar a procrastinação de autocuidado – dizendo a mim própria que preciso de descansar e que isso deve ser a minha prioridade, quando na realidade estou apenas a adiar fazer aquilo que preciso de fazer. Não me interpretem mal, sou uma grande defensora do descanso, mas tive de aprender a distinguir entre descanso e procrastinação (e talvez precises de fazer algo semelhante). Para ultrapassar isso, tornei-me extremamente clara em relação ao meu “porquê”: 

Por que faço aquilo que faço? Qual é o benefício? Qual é o objetivo? Qual é a intenção? 

Faço estas perguntas em relação a todas as minhas práticas e rituais de bem-estar pessoal e sinto que isso me ajuda a manter o foco e a disciplina, especialmente naqueles dias em que simplesmente não me apetece. E claro, há dias em que não os faço – sou apenas humana! 

Tira algum tempo para refletir:

  • Por que estás nesta jornada de crescimento pessoal?
  • Por que fazes determinados rituais e práticas?
  • Quais são os teus valores?
  • Quais são os teus objetivos?
  • Quando completas as práticas que te conectam contigo própri@ (por exemplo, meditação ou prática de asanas), como te sentes?
  • Como se desenrola o dia em comparação com os dias em que não os fazes?

Essa última pergunta é também algo que me motiva a ser disciplinada na minha prática de yoga. Nos dias em que faço algum tipo de yoga – seja pranayama (trabalho respiratório), meditação, prática de asana, entoação de mantras ou outra coisa – o dia quase sempre flui de forma leve e harmoniosa em comparação com os dias em que não o faço. Por isso, tento focar-me nessa sensação quando não me apetece ser disciplinada comigo própria.

Paciência e entrega

Ter tapas pode ajudar-nos a desenvolver paciência. Vivemos num mundo onde tudo é instantâneo e está à distância de um clique. Podemos ter qualquer coisa que desejemos, ir a qualquer lugar e falar com quem quisermos – tudo ao clicar num botão. Com tapas aprendemos a ser pacientes e a libertar o controlo. Quando temos autodisciplina, conseguimos realizar ações que acrescentam valor às nossas vidas todos os dias, mesmo que não vejamos ou sintamos os resultados imediatamente.

Compreendemos que as coisas nem sempre serão “fáceis”, mas a nossa mentalidade mudou com a orientação dos Yamas e Niyamas anteriores e estamos a agir a partir de um lugar de calma e gratidão. Respondemos à vida em vez de reagirmos. Somos capazes de ter paciência, confiar no processo e deixar ir o controlo. Isto é um enorme presente que podemos dar a nós próprios, e exige trabalho. 

Explora as seguintes perguntas para exercitares este lado de tapas:

  • Como podes praticar mais a paciência?
  • Onde podes libertar o controlo?
  • Como responder de forma consciente em vez de reagir por impulso?

O simples facto de estares a ler este texto é uma forma de tapas. Ao longo da nossa exploração dos oito membros do yoga, temos vindo a iluminar as nossas sombras. Temos vindo a retirar camada após camada para regressarmos ao nosso verdadeiro eu. É essencial que penses no teu agni (fogo) interno e naquilo de que ele precisa para continuar aceso. 

Como podes ser disciplinad@ na tua prática de yoga de uma forma saudável? 

Não se trata de conseguir fazer pinos de cabeça (Sirsasana) ou equilíbrios sobre os braços. Para algumas pessoas pode significar meditar cinco minutos por dia, enquanto para outras pode ser uma prática de asana de uma hora na maioria dos dias. Desde que funcione para ti e apoie o teu crescimento em direção ao teu eu mais elevado, isso é o que realmente importa.

Comparar-nos é da natureza humana, mas com a prática de tapas vais deixando de comparar o teu caminho com o de outra pessoa, porque sabes que estás no caminho certo.

*Artigo adaptado do original publicado pelo parceiro Ekotex Yoga

Foto de freepik

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