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Por Jyoti, professora de Yoga*
Nesta jornada pelos oito membros do yoga, explorámos os cinco yamas – os princípios sociais da não-violência, verdade, não-apropriação, uso consciente da energia e desapego. Estamos agora nos cinco niyamas, as disciplinas morais dirigidas a nós próprios e, como consequência, ao mundo exterior. Já refletimos sobre pureza (saucha), aceitação (santosha), disciplina (tapas) e autocontemplação (swadhyaya). Este mês, debruçamo-nos sobre Ishvara Pranidhana, o último niyama, que significa rendição à consciência universal.
Yoga pode ser entendido tanto como uma prática como um estado de ser. Praticamos yoga para alcançar yoga. E isto pode ser confuso de compreender. Atingir um estado de yoga significa que alcançámos a iluminação ou samadhi – é a união da consciência individual com a consciência universal. Já não nos identificamos com a nossa mente ou com o corpo; em vez disso, sabemos que somos parte da mesma consciência universal que habita em todos.
Como prática, fazer yoga significa que estamos a praticar os oito membros do yoga, entre muitas outras práticas descritas nos Yoga Sutras de Patañjali. Estas práticas conduzem-nos a um estado de yoga.
Isto leva-nos ao nosso niyama final – Ishvara Pranidhana. Ishvara traduz-se como consciência universal / um poder superior / Deus / fonte / insere aqui a tua palavra ou expressão escolhida. Pranidhana significa rendição, dedicação ou devoção. Assim, juntos, Ishvara Pranidhana trata de nos rendermos a um poder superior. Isto guia-nos a mudar a nossa perspetiva do ego “eu” para o nosso verdadeiro Eu.
Este niyama encoraja-nos a entregar todas as nossas ações e os frutos das ações a um poder superior. A palavra “rendição” tem diferentes conotações e pode muitas vezes ser vista como um último recurso ou como fraqueza, mas isso não é verdade. Quando falamos de rendição, referimo-nos a largar o controlo. Trata-se de realizar as ações corretas com a atitude correta, sem estarmos presos ao resultado. E esta última parte é a mais difícil – render-se e desapegar-se do resultado.
A maioria de nós tem a crença errada de que pode controlar os resultados das suas ações, devido ao condicionamento social e à forma como o nosso cérebro funciona. Acreditamos que, se fizermos X ou Y, então Z vai acontecer. Não deixamos espaço para outras possibilidades e, quando Z não acontece, ficamos desiludidos. Na realidade, tudo o que podemos controlar são as nossas ações e as nossas reações. Os frutos dessas ações estão fora do nosso alcance.
Com Ishvara Pranidhana, trabalhamos com este poder superior e cocriamos. Fazemos as nossas ações da melhor forma possível e depois entregamos o resto ao Universo, confiando que o que recebemos é o que nos está destinado. Tentamos ver o presente em tudo o que recebemos, seja ou não aquilo que esperávamos. Ao fazer isto, aprendemos a mover-nos com os fluxos e refluxos da vida e a permanecer abertos. Tornamo-nos menos rígidos e menos ansiosos. Tornamo-nos mais presentes enquanto realizamos as nossas ações, porque deixamos de nos preocupar com “e se…” e de sobrepensar os resultados. Os nossos pensamentos e crenças deixam de nos limitar. Deixamos de nos diminuir. Experimentamos um novo nível de liberdade – aquele em que verdadeiramente largámos, confiamos e compreendemos que tudo o que tem de ser, será.
Isto requer prática e dedicação. É fácil intelectualizar estes conceitos e escrevê-los, mas vivê-los é um processo. É uma jornada e devemos ser gentis connosco próprios enquanto a atravessamos.
Vamos começar ou continuar o nosso caminho explorando a nossa própria ligação com Ishvara e como podemos incorporar este niyama no nosso dia a dia. Pega no teu diário e na tua caneta e deixa as palavras fluir enquanto respondes às seguintes questões:
- Qual é a tua ligação com a consciência universal / um poder superior / Deus / fonte / insere aqui a tua palavra ou expressão escolhida?
- Em que acreditas? Como é que estas crenças se alinham com os teus pensamentos, palavras e ações? Se houver falta de alinhamento, como poderias integrar melhor tudo isso?
- Como podes render-te mais no dia a dia, viver na energia da rendição?
- Como podes cocriar e trabalhar com o universo em vez de contra ele?
- Como podes começar a ver tudo como uma unidade, em vez de separado?
- Como podes libertar o teu apego ao resultado, à gratificação externa e aos objetos materiais?
- Como vais continuar a tua jornada de regresso a ti própri@?
Obrigada por viajares connosco através dos yamas e niyamas. Se tiveres pensamentos ou perguntas, contacta-nos.
Com amor e gratidão.
*Artigo adaptado do original publicado pelo parceiro Ekotex Yoga
Foto de Stainless Images na Unsplash
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